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Como a tua pulseira adivinha se estás em sono profundo ou REM

Sem ver o teu cérebro, uma pulseira corta a noite em blocos de 30 segundos e adivinha a tua fase de sono pela pulsação, HRV e movimento. Vê como.

· 4 min de leitura · Por Alberto Lorente

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Pulso adormecido com uma pulseira sem ecrã da qual sai uma onda de luz magenta

Enquanto dormes, o teu pulso toma notas

Todas as manhãs a aplicação diz-te quanto sono profundo e quanto sono REM tiveste. Curioso, porque a pulseira não vê o teu cérebro nem olha para os teus olhos. Então, como é que sabe? A resposta mistura pistas indiretas, estatística e uma boa dose de humildade.

Como se faz num laboratório do sono

Para classificar o sono «a sério» existe a polissonografia. A pessoa dorme com sensores que registam as ondas cerebrais (o eletroencefalograma, ou EEG), os movimentos dos olhos e a tensão muscular. Depois, um técnico revê a noite em blocos de 30 segundos e atribui a cada um uma etiqueta: vigília, N1, N2, N3 ou REM, segundo as regras da American Academy of Sleep Medicine (AASM).

N1 e N2 formam o sono leve. N3 é o sono profundo, com ondas cerebrais lentas e amplas. No REM o cérebro fica muito ativo, os olhos mexem-se depressa e os músculos ficam quase sem tónus.

Curiosidade: nem os especialistas concordam sempre. Num programa da AASM em que mais de 2500 técnicos pontuaram as mesmas gravações, a concordância média foi de 82,6 %, e descia para 67 % no sono profundo.

As pistas que uma pulseira lê

Sem EEG, a pulseira faz de detetive com o que consegue notar a partir do pulso:

  • Movimento. O acelerómetro deteta se te mexes. É a melhor pista para separar o sono da vigília, mas diz pouco sobre a fase.
  • Pulsação. Um sensor ótico acompanha os batimentos. No sono profundo a pulsação desce e torna-se regular; no REM agita-se.
  • Variabilidade da frequência cardíaca (HRV). São as pequenas diferenças de tempo entre um batimento e o seguinte. Refletem o braço de ferro entre o «travão» e o «acelerador» do sistema nervoso.
  • Respiração. Respirar deixa marca na pulsação: ao inspirar o coração acelera um pouco e ao expirar abranda. Daí deduz-se o ritmo respiratório, mais calmo no sono profundo e mais irregular no REM.
  • A hora. O REM é mais frequente na segunda metade da noite.

Cortar a noite em fatias de 30 segundos

Com esses sinais, o algoritmo imita o técnico: divide a noite em blocos de cerca de 30 segundos (oito horas dão 960). Para cada bloco calcula alguns números e um modelo, treinado com noites gravadas em simultâneo com polissonografia, decide qual é a fase mais provável: acordado, leve, profundo ou REM.

É por isso que as pulseiras falam de sono «leve» em vez de N1 e N2: sem ondas cerebrais, separar as duas é quase impossível.

Quão perto fica do laboratório?

É uma estimativa, não uma polissonografia. Os estudos dizem-no:

  • Distinguir dormir de estar acordado funciona bem. Num estudo de 2021 com sete dispositivos de consumo, todos reconheceram pelo menos 93 % dos blocos de sono, mas só entre 18 % e 54 % dos momentos acordados.
  • As fases custam mais. Com 106 pessoas e 440 noites, um modelo que usava apenas o movimento acertava na fase em 57 % dos blocos; ao juntar pulsação, variabilidade e hora da noite, subia para 79 %.
  • Há muita diferença entre aparelhos. Um estudo de 2023 com 11 dispositivos encontrou níveis de concordância com o laboratório entre «moderado» e apenas «ligeiro».
  • As noites agitadas são as mais difíceis. Com sono fragmentado, todos falham mais.

Em perspetiva: se os técnicos humanos concordam em cerca de 83 %, que um algoritmo que não vê o cérebro chegue aos 79 % é notável. Mas cada noite tem a sua margem de erro.

O que fazer com o número

O que importa é a tendência. Se num dia aparecem 40 minutos de sono profundo e no seguinte uma hora e dez, pode ser da tua noite ou do algoritmo. Mas se durante semanas vês que o teu sono profundo desce quando jantas tarde, isso sim é informação útil.

  • Compara médias semanais ou mensais, não dias soltos.
  • Olha primeiro para o mais fiável: a que horas adormeces, quanto dormes e quão regular és.
  • Usa as fases como uma pista para fazeres perguntas, não como um veredicto.
  • Se dormes mal de forma persistente, a conversa é com um profissional de saúde, não com a aplicação.

Numa pulseira sem ecrã como a DuckDik Sense, que também estima as fases do sono, o mais interessante chega quando olhas para várias semanas seguidas.

Perguntas frequentes

Uma pulseira consegue mesmo saber em que fase do sono estou?

Estima-a. Não mede ondas cerebrais: combina movimento, pulsação, variabilidade da frequência cardíaca (HRV) e a respiração deduzida da pulsação para calcular a fase mais provável.

Porque é que a noite é dividida em blocos de 30 segundos?

É o padrão dos laboratórios do sono: as regras da AASM pontuam a noite em épocas de 30 segundos. Os algoritmos das pulseiras copiam esse formato para se poderem comparar com o laboratório.

Qual é o grau de concordância dos wearables com o laboratório?

Distinguem bem o sono da vigília, mas as fases custam mais. Num estudo com 440 noites, um modelo só com movimento acertou na fase em 57 % dos blocos e, com pulsação, HRV e hora, em 79 %. Os técnicos humanos concordam em cerca de 83 %.

Devo preocupar-me se numa noite tiver pouco sono profundo?

Uma noite isolada diz pouco. Olha para médias semanais ou mensais. Se dormes mal de forma persistente, fala com um profissional de saúde.

A DuckDik é um produto de bem-estar. Não é um dispositivo médico, não diagnostica e não substitui o conselho de um profissional de saúde. Se tiver sintomas, consulte o seu médico.

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